(17 de outubro de 2002) A soneca depois do almoço se faz necessária. Um calor de mais de 40 graus impede qualquer tipo de ação, até mesmo um pensamento. Acabei dormindo até as cinco horas da tarde em uma rede na varanda e, quando abri os olhos, o sol ainda ardia.
Tudo era branco feito lençóis estendidos em um varal. Os grandes Lençóis Maranhenses, o deserto de areia maior que a capital paulista, um mundo de 155 mil hectares de brancura total radiante “que nem a lavagem com Omo por vezes seguidas” consegue alcançar. Sem exageros.
Tive forças para levantar e caminhar corcova acima, corcova abaixo até um lago de águas azuis. Duna acima, barulho do vento; duna abaixo, o som do silêncio; longe, um homem atravessava sua trilha parecendo uma ilusão de ótica e um pássaro levantava vôo. No meio do nada.
O nada que é tudo, imensidão que ofusca os olhos de tanta luz. E expande todas as suas forças, como se essa luz estivesse irradiando de dentro de você para toda a área que conseguir enxergar.
É por isso que, na volta da viagem, seis meses depois dos filmes revelados, tenho a impressão de que não estive nos Lençóis, mas sonhei que estive. Ou, sendo lugar comum, é como se tudo não tivesse passado de uma miragem.
Vários conhecidos que viajaram pra lá tiveram essa mesma sensação. É um lugar tão real, e ao mesmo lembra um cenário de sonho. Com o tempo, o cenário se altera, pois os ventos redesenham as linhas na areia e levam as dunas. De uma semana para a outra, elas nunca estão no mesmo lugar.
Depois de acostumar com o aparente branco das dunas, você passa a ver as nuances das curvas formadas na areia, as tonalidades quando o sol está indo embora, a transparência das águas que – pasmen! Tem vida mesmo longe do mar. Vida aquática e vida em comunidade, pois há pessoas morando nesse deserto, dentro ou perto dele.
São pescadores que criam algumas cabeças de gado e cabras, donas de casa, crianças, velhos. Deslizam com suas tão características embarcações pelas águas do principal rio que atravessa os Lençóis, o Preguiças. Colhem os frutos dos buritis que povoam as margens desse rio, uma das principais fontes de sobrevivência do povo ribeirinho.
E esperam a chegada do verão e do inverno, duas estações bem definidas onde não faz frio, mas venta ou chove, utilizando como termômetro as lagoas que se formam entre uma duna e outra.
Quais informações são decisivas na escolha da cidade onde irá viajar?
Receba nossas dicas por e-mail:
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::: Feriadão.com (c) 2009 - todos os direitos reservados :::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::